Essa palavra, recomeçar, muitas vezes vem acompanhada da ideia de que tudo o que fizemos até aqui não valeu de nada. Como se, para começar novamente, fosse necessário deixar para trás tudo o que fomos, vivemos e construímos. Como se não tivéssemos nada de útil para levar conosco para esse novo caminho, mas será mesmo?

A necessidade de recomeçar pode nascer de muitos lugares: de um luto difícil, de uma mudança inesperada, do fim de um relacionamento, de uma grande decepção com algo ou alguém… Ou, às vezes, simplesmente do cansaço de permanecer no mesmo lugar por tempo demais e da vontade de fazer algo diferente por si mesmo. E isso também pode ser maravilhoso.

Recomeçar não significa, necessariamente, começar do zero. Afinal, você não é a mesma pessoa que era quando tudo começou. Você carrega experiências, aprendizados, afetos, descobertas e até as marcas do que viveu.

Talvez recomeçar seja menos sobre apagar o passado e mais sobre olhar para ele, reconhecer o que fez parte da sua história e escolher o que deseja levar consigo daqui para frente.

E, então, surge uma pergunta que, muitas vezes, parece ser a mais difícil: como recomeçar?

Em primeiro lugar, precisamos começar a perceber o que gostamos, o que queremos e, também, aquilo de que não gostamos e o que não queremos para nós e para as pessoas ao nosso redor. Ter clareza sobre essas coisas pode nos oferecer um senso de direção e, talvez até mais importante, uma maior segurança para fazer escolhas que estejam de acordo com quem somos.

A maioria das pessoas com quem converso durante processos de autoconhecimento tende a começar justamente pelo que não gosta ou pelo que não quer. E, ao meu ver, isso já é meio caminho andado, literalmente!

Reconhecer aquilo que não nos faz bem nos permite estabelecer limites, nos proteger e fazer escolhas diferentes. E, a partir daí, também nos damos a oportunidade de experimentar. Podemos conhecer coisas novas, descobrir interesses, mudar de ideia e até perceber que aquilo que imaginávamos querer já não faz mais sentido.

Nem toda tentativa vai dar certo, algumas experiências podem não ser tão legais quanto imaginávamos, e tudo bem.

Recomeçar também envolve isso: experimentar sem a obrigação de acertar de primeira. Afinal, não precisamos ter todas as respostas antes de dar o primeiro passo. Podemos caminhar, perceber o que faz sentido, reconhecer o que não faz e, quando necessário, recalcular a rota.

Outra coisa que escuto com frequência quando o assunto é recomeçar é: “Sou velho demais para isso” ou Já estou na metade da minha vida para começar algo novo.” Mas já parou para pensar que nós só temos esta vida?

Nunca é tarde demais para aprender algo, descobrir um novo interesse ou experimentar um caminho diferente. É claro que cada fase da vida traz suas próprias condições, responsabilidades e desafios, mas isso não significa que precisamos deixar de desejar, aprender ou mudar.

Às vezes, esperamos pelo momento perfeito para começar. Esperamos ter mais tempo, mais dinheiro, mais disposição, mais coragem ou mais certeza. E, enquanto esperamos, o tempo continua passando.

Talvez você continue dizendo que vai começar “um dia”. Mas e se esse dia puder ser hoje? E não precisa ser algo grandioso.

Muitas vezes, imaginamos que o primeiro passo precisa ser gigantesco! Quase tão grande quanto o próprio sonho. Mas eu acredito muito no poder dos micropassos: pequenas ações que nos aproximam, pouco a pouco, daquilo que desejamos.

Essa é uma lógica que também pode aparecer no processo de psicoterapia: transformar aquilo que parece grande demais em algo que possa ser observado, compreendido e, quando fizer sentido, construído passo a passo.

Imagine, por exemplo, que você queira terminar de ler um livro, mas não tenha muito tempo disponível ou não consiga se concentrar durante longos períodos. Você precisa ler cinquenta páginas por dia para considerar que está avançando?Talvez não.

Você pode começar com aquilo que consegue, da melhor forma que consegue. Algumas páginas por dia. Dez minutos. Um pequeno trecho antes de dormir. O importante é encontrar uma forma possível de começar e, quando fizer sentido, manter alguma constância.

Pode parecer pouco naquele momento, mas pequenos passos também nos levam a lugares que pareciam distantes.

E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas sobre recomeçar: você não precisa saber exatamente como chegar ao final para começar a caminhar.

A ideia de começar pode parecer muito mais assustadora antes do primeiro passo. Depois que começamos, muitas vezes percebemos que aquilo não era o “bicho de sete cabeças” que imaginávamos. E, no caminho, podemos descobrir que somos capazes de muito mais do que acreditávamos. Recomeçar é possível!

Talvez você não precise mudar tudo hoje. Talvez precise apenas descobrir qual é o seu próximo pequeno passo.

E, se eu puder te lembrar de alguma coisa, é esta: não subestime o que pode acontecer quando você decide começar!

Eu acredito que você é capaz de construir novos caminhos!
Agora, talvez seja a sua vez de dar o primeiro passo.

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Joana Ester Gonçalves Lins

E aí meus queridos, tudo bem?

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